A ler à socapa palavras que descobri e gostei no intervalo do dever de finalizar miudezas que a minha vocação para a procrastinação torna intermináveis. Entre sons que me habitam desde sempre, e outros recentes que me irão habitar para sempre pela urgência e ternura de quem mos apresentou. Em cinco minutos oscilo da extrema alegria, do cândido optimismo a uma angustia miúdinha cuja fonte desconheço ou finjo desconhecer – seremos todos potenciais bipolares? Não encontro o “play”. Fartinha do “pause”. A dúvida mantém-se: “ffwd” ou “rwd”?

1 Comentário

Filed under The state that i am in

lado lunar

porque há quem insista em puxar brilho à personalidade quando os laços mais fortes – de amizade ou de amor ou de outra coisa qualquer que isto os laços têm nuances subtis e numerosas – nascem da partilha ou descoberta da pequena falha, do inconfessável medo, da mais peculiar mania?

1 Comentário

Filed under Sem-categoria

The state that I am in

A pensar em como esta lua-de-mel com a suposta pureza do campo e suas gentes acabou depressa, em como a tacanhez de espirito, o “modo funcionário de viver” e a moral de sacristia me angustiam, em como os velhos que só trabalharam a vida toda queimarão os seus dias quando o corpo emperra, que sensatos são no fundo os que se deixam enlouquecer e enchem de flores, cães, gatos, tachos sujos e estendais-espantalhos o quintal.

“She lay in bed all night watching the colours change
She lay in bed all night watching the morning change
She lay in bed all night watching the morning change into green and gold

The doctor told her years ago that she was ill
The doctor told her years ago to take a pill
The doctor told her years ago that she’d go blind if she wasn’t careful

They let Lisa go blind
The world was at her feet and she was looking down
They let Lisa go blind
And everyone she knew thought she was beautiful
Only slightly mental
Beautiful, only temperamental
Beautiful, only slightly mental
Beautiful

She thought it would be fun to try photography
She thought it would be fun to try pornography
She thought it would be fun to try most anything
She was tired of sleeping” belle and sebastian, beautifull

2 comentários

Filed under Sem-categoria

Skype

Gostar tanto, mas tanto da Holy Golightly a ponto de se escolher como nome de utilizador do skype não em mal. A não extremo embaraço quando o telefone se avaria à última da hora e se torna necessário utilizá-lo numa reunião de trabalho com o novo chefe…

2 comentários

Filed under Sem-categoria

Economia de tempo

Nas mensagens pre-definidas do telemovel, entre “estou atrasado” e “parabéns” está: “também te amo”.

4 comentários

Filed under Sem-categoria

Moi Bonnie je tremble pour Clyde Barrow

Da série argumentos contra o “smoking ban”. Mas também poderia ser da série “argumentos para aprender francês em condições”

Deixe um comentário

Filed under argumentos contra o smoking ban

Assim estou. Enquanto na televisão, depois do “Conta-me como foi” falam de precaridade dos empregos dos jovens e desfilam o habitual rol de mentes brilhantes no desemprego – enquanto procrastino mais uns minutos adiando por nada mínimas tarefas que têm de ser feitas, viagens que amanhã me vão custar mais, mails que devia ter enviado há semanas – enquanto tento arrumar coisas novas coisas antigas coisas doridas em gavetas – enquanto decido que podia viver só de sol forte e água fria e salgada – enquanto folheio o jornal e só registo o Calvin- enquanto tento não deixar o medo cauteloso abafar-me o bater o crescer o expor do coração.

3 comentários

Filed under The state that i am in

Charlotte: I just don’t know what I’m supposed to be.
Bob: You’ll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you.

1 Comentário

Filed under The state that i am in

Will it tear us apart again?

may i feel said he
(i’ll squeal said she
just once said he)
it’s fun said she

(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she

(let’s go said he
not too far said she
what’s too far said he
where you are said she)

may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she

may i move said he
is it love said she)
if you’re willing said he
(but you’re killing said she

but it’s life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she

(tiptop said he
don’t stop said she
oh no said he)
go slow said she

(cccome?said he
ummm said she)
you’re divine!said he
(you are Mine said she)
e.e.cummings

1 Comentário

Filed under Learning to ride my own wild horses

De mantra ao pescoço

“Cortesia” Pedra Dura

1 Comentário

Filed under The state that i am in

“we know a place where no planes go”

e é onde agora vivo. Fora do mundo. Enquanto à minha volta e dentro de mim tudo o que era certo desaba e o espanto de existir me reencontra a cada instante. Dizia no início do ano que tinha a incorporar coragem, independência e alegria. E estou. Devagar a deixar que as três ganhem raízes na terra por vezes movediça, por vezes árida, por vezes fértil que me compõe. De tudo o que desabou e dos novos e leves rebentos que despontam, algo permanece. A tal história de alguns de nós serem reagentes e outros agentes, de essência boa ou má mas inalterável. A minha é esta:

“Não sei se por descender de artistas de circo, de crianças em fuga, de mulheres sem sossego nem salvação e de homens que mil vezes apostaram a vida perdendo sempre, piso sem medo este arame fino e farpado. Sem hesitações nem passos em falso. A rir bem alto de quem teme por mim e a fingir que sei muito bem para onde vou. O segredo é ser leve e não me levar muito a sério. Não conquisto nada que sirva para a troca, mas também não consigo pensar em nada que queira em troca. Porque assim habito esta tenda imensa e assim lhe coso em segredo os rasgões causados pelos sobressaltos do caminho. Não sei se por a maldição saltar geração sim geração não e eu ser da não, sinto-me abençoada com uma imunidade que permite enfiar a cabeça bem fundo na boca das feras, dar piruetas em círculos de fogo, desafiar o trapézio sem rede e desdenhar os palhaços, tão pouco atléticos e tão patéticos. Porque um dia me segredaram que pouco depende de mim, que existem trilhos a seguir, falsas pistas a evitar, bênçãos a agarrar com muita força na altura certa. E pouco mais.” reloaded, editado a 28/04/2008. Ainda aqui estou.

3 comentários

Filed under Learning to ride my own wild horses

The state that I am in (20)

Houve umas coisas que correram bem (“quoting” a amiga Kob: “How can they award a PhD to someone who actually enjoys watching WifeSwap?”), outras que parece que vão correr bem (mudei-me para um monte alentejano onde só há rede de telemovel na esquina ao pé cameleira, onde durmo que nem um bebé graças ao silêncio nocturno do campo e onde sou queijeira e as senhoras me tratam por “menina engenheira” numa clara confirmação do meu espírito de liderança) e outras que ainda não decidi se correram bem ou mal (e estas davam um pequeno Haikai ou um grande silêncio e estão muito bem explicadas pela Ida Maria no vídeo abaixo).

PS (Completamente fora do contexto do Post): confirmado via comentário do Paulo, aka agenda cultural, Leonard Cohen vem visitar-nos a 19 de Julho! A petição funcionou! Paulo, se houver excursão também me junto a este.

4 comentários

Filed under The state that i am in

Ora aqui está

a mãe que eu quero ser quando for…enfim, quando for mãe. A mãe humana e ainda mais importante Mulher, qe lá pode deixar uma loicita por lavar, falhar uma outra reunião de pais (se for muito muito esperta falha todas) mas que também não traumatiza os filhos para a vida por terem entornado leite no Arraiolos nem os pressiona a serem a perfeição que ambiciona e falhou. Está aqui

3 comentários

Filed under Sem-categoria

Sad but true

Still haven´t found what I am looking for.

3 PS´s: Ando fascinada por este albúm. Ambiente cabaret rocks. Se não existisse música não sei o que seria de mim, juro.

3 comentários

Filed under but don't forget the songs that made you cry and the so

Anxiety Reloaded

“Às vezes caio muito fundo dentro de mim, os olhos param-me em coisas que não vejo, oiço em “repeat” músicas que fazem mal, faço e desfaço nozinhos na alma como quem tricota um cachecol sem fim e quando finalmente consigo decifrar o relógio vejo que passaram horas que percebi como segundos. Aí sei: se me deixar ir vou parar a um sítio do qual não saberei regressar.” em 7/3/2005.

2 comentários

Filed under Sem-categoria

Óscares

Dos nomeados só vi o Ratatouille. O filme que me fez perder o medo de ratos. Por isso só vou emitir opiniões na especialidade que é minha por direito de género e pelas horas de leitura de Vogue: la couture.

Respectivamente: o vestido que eu gostava de ter (Valentino Vintage), o melhor vestido em que posso pensar para receber uma estatueta (Jean Paul Gaultier), do vestido não sei mas há aqui qualquer coisa Monroenesca (o meu reino pela preciosa confirmação: ela só pode ter corpete, não?), o Bardem com um fato (Prada) que ainda não me convenceu e ao qual dou o benefício da dúvida por ser ele por estar acompanhado da mamã (solteiro?) e à irrepreensível Cate Blanchett só posso dizer duas coisas: YAY por escolher Dries Van Notten e mas será que nunca tem um dia mau, nunca fica um bocadinho menos gira?

2008_flockhartc_01.jpg2008_cotillardm_01.jpg2008_heiglk_01.jpg2008_bardemj_02.jpg2008_blanchettk_01.jpg

1 Comentário

Filed under Sem-categoria

Vertigem de viver

Ontem à noite, a minha companhia de almofada (Clarice Lispector e o seu conto “Ruído de passos”) apresentou-me Cândida Raposo. 81 anos. Sofria, escreveu ela, de VERTIGEM DE VIVER. Tão bonito!

Deixe um comentário

Filed under Sem-categoria

Fotografia do dia para mim

Não só apareceu uma hipótese D na busca pelo corte de cabelo perfeito (pastiche de uma velha favorita, a Shirley), como não consigo parar de pensar nesta t-shirt.

Aliás, não sei se serei feliz sem esta t-shirt. “By the way”, faço anos dia 9…

3 comentários

Filed under Sem-categoria

Exposição pública de intimidade: em primeira mão a minha companhia de almofada dos últimos tempos…

…os contos de Clarice Lispector! A melhor noite foi com este:

“Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto – é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia – é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois – depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.
Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou.
E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.
Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.”

Deixe um comentário

Filed under Sem-categoria

Mobilização

Ide e assinai.

Deixe um comentário

Filed under Sem-categoria