entretanto, no meio deste silêncio blogosférico – que só pode ser bom sinal – trabalhei no que mais gosto, descansei, vi o Leonard Cohen no que para grande espanto meu me soou a actuação da banda de animação de um qualquer cruzeiro de reformados, banhei-me quase de “burkini” num Atlântico morninho, banhei-me não interessa como no meu Atlântico preferido revoltado e gelado, comprei o cardamomo mais aromático jamais cheirado, viajei 4 horas a 40ºC em pé num comboio atolado de pessoas, descobri que já não resisto a 4 dias festivaleiros seguidos sem refilar com a falta de um jantar calmo com conversas calmas em redor de um vinho calmo, num desses dias festivaleiros confirmei que Roisin Murphy é a pessoa com mais estilo à face de terra e que o mantem grávida de pijama, robe e com todos os problemas técnicos do mundo condensados num só “concerto”, mudei de ideias mil vezes em relação a mil coisas, vi de uma assentada 8 episódios da vida do Hank Moody (Beka rules), delineei projectos ederrubei outros. Agora, afio os lapis, organizo o computador e aterro devagar nisto dos dias de trabalho. E interrogo-me, onde se vende a Vogue UK nas redondezas? Há aí um zunzum da continuidade das calças de harém e dos “power shoulders” e queria (des)confirmá-lo naquele suplemento dos essenciais de moda Outono/Inverno (o que manter, o que deitar fora, o que comprar, o que reciclar e por aí fora), para mim a silly season é “nonstop”!
einmal ist keinmal (2)
Mas não é, conclui eu em baixo. O mundo não é previsivel e familiar.
Godbless! Ia ser chato, morninho e acolchoado, mas chato.
De qualquer forma aqui inicio uma categoria de postadas-brinde às coisas previsíveis e familiares do mundo: Einmal ist keinmal!
Por exemplo, os sons que nos habitam, dos quais nunca nos fartamos, que nos apresentam mais um bocadinho de nós de cada vez que os ouvimos, aos 13, aos 16 aos 20, aos 25, e agora aos 30 (ainda sem todos os dentes do siso, e os que nasceram não me doeram por isso não valem):
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einmal ist keinmal
Vou reconhecendo a custo, a maturidade exige este processo de fazer as pazes entre o que achávamos ser e o que realmente somos, que sou estranha a novidades. Meio porco-espinho, sou aos primeiros contactos mera observadora, um bocadinho esquiva, antipática, há que assumi-lo. Seja com pessoas, músicas, roupas, lugares, os afectos crescem lentamente em mim com a permanência ou com o regresso. Gosto de voltar aos sítios que amei (nunca hei-de voltar a Londres sem voltar à Liberty ou à Royal Opera House, mesmo que à custa de omitir a descoberta de novos locais), gosto de ouvir pela milionésima vez a mesma história da boca da mesma pessoa (por isso sorrio satisfeita em vez de acusar ” ja me contaste isso mil vezes”), de percorrer ruas e recordar as sensações que nelas vivi, de sentir como os locais ficam manchados pelas vivências, saber que uma pequena aldeia sem graça será sempre o local onde virei páginas da minha vida e permiti a medo a escrita de novas prosas, de saber que aquela pastelaria ao pé da igreja encerra tantas madrugadas ébrias e fins de tarde preguiçosos com o mundo pela frente que lá um palmier terá sempre a matiz de sabores mais rica de todas, gosto das piadas que só fazem sentido entre amigos de longa data, dos rituais de jantares ou cinema ao dia tal. É uma especie de autismo emocional, como que repetir um abraço sobre mim mesma para fingir que o mundo é um sítio previsivel e familiar. Mas não é.
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kit-sobrevivência para uma travessia ao deserto
que sou por vezes: lentes cor de rosa, asinhas icarianas, cote d’ór com amêndoas salgadas, vestidos coloridos, raios de sol, salpicos frios de àgua salgada, gargalhadas bem altas por tudo e por nada, macarons, balões e bicicletas como no vídeo em baixo e, muito importante, a chave para trancar o “círculo”.
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The state that I am in
Pantone 292 for a while. Because I am aiming for Pantone 199.


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Os olhos do Chico
Contra botox, repuxamentos e afins. Apenas por isto, tão bem ilustrado no vídeo abaixo: a beleza das rugas de expressão (especialmente aquelas ao lados dos olhos em leque, mapas indicativos de muitos sorrisos e sonoras gargalhadas).
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Pequenos nadas
como o de ter uma manhã livre e entre as torradas com compota de morango e golinhos no Rose Pouchong descobrir este filme num canal televisivo qualquer. Com a Kirstin Scott- Thomas irreconhecível. Como poder agora trabalhar entre o sofá, a esplanada e a cozinha dependendo da luz do sol que move. Como olhar para este DVD ainda embrulhado em celofane e esperar pela companhia para o ver comigo. Como encomendar este e este. Como retirar prazer de palavras escritas e cores rabiscadas num caderninho a estrear, fraquinhos mas meus. Como descobrir novos sons devagar com toda a atenção requerida. Como planear o dia, a semana o mês a vida e logo a seguir desmontar tudo, não era nada disto, vai ser tudo diferente. Pequenos nadas que se se gozam apenas com um grande tudo: Serenidade.
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Me, myself and I
Tenho, por vezes, momentos de intenso arrebatamento, de perfeita paixão comigo mesma. Posso mesmo afirmar que aqui está uma relação para durar “até que a morte nos separe”. Claro que isto exige algum mimo e investimento. Ainda ontem me surpreendi com um bife como molho de chocolate preto (bem sei o que eu gosto de chocolate) que envolveu um momento flambé de puro exibicionismo for my eyes only e a abertura de uma garrafa muito antiga que andava esquecida na despensa. Tudo ao som do Frank Sinatra aos altos berros e com piruetas de fox trot. Em certos dia o desprendimento e sensualidade divertida do Frank (“How did all these people get in my room?”) são o único inóculo de protecção contra a mediocridade que por aí anda, prestes a agarrar-nos em qualquer esquina e em tornar-nos numa pessoa miudinha de horizontes da largura de um carreiro de cabras. A noite acabou, claro está, a…ver pela milionésima vez a Audrey a cantar Moonriver, a roubar máscaras em lojas chinesas e a trincar croissants na montra do Tiffany’s.
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Selo
Mencionada num dos meus cantinhos virtuais preferidos– pela escrita sincera,pelas novidades musicais e tecnológicas, pelas referências a sensações paralelas e sítios que já habitei – não pude deixar sem resposta esta corrente em que me pediram que referisse 5 coisas que adoro na vida e 10 blogues femininos que eu adore. Aqui vai, sobre mim:
1)Dias de verão intemináveis que se estendem devagar cheios de coisas boas, que envolvam brisas quentes, luz de cegar, praia até ao pôr-do-sol, um livro e revistas côr-de-rosa, mergulhos, jantar tardio rodeada de amigos…
2) Dançar e cantar sozinha com a música bem alta, restinhos de adolescência que persistem e que exerço com afinco
3) A época natalícia, desde as luzes e músicas na rua, as listas de presentes, os filmes sentimentaloides na televisão, os fritos trabalhosos, a preparação da ceia, a mesa cheia (e só gostaria de a ter dez vezes mais cheia).
4) Cumplicidades, conversas que fluem horas e horas, pequenos olhares, “private jokes”, sorrisos, mimos e amuos, todas as pontes que nos ligam aos outros de forma espontânea e honesta.
5) Conhecer sítios novos, cheiros novos, paladares novos, sons novos, novas perspectivas. Só comparável a regressar aos sítios de sempre aos cheiros de sempre, aos paladares e sons de dentro.
Espalho a palavra sem obrigação nem agenda a 10 blogues que gosto sempre de espreitar (e repito, porquê só mulheres?) à Luna, à Maçâzinha, à M, à Passarola, à Micas Mariana, à Menina Limão, à Mónica, à Lady , à Pushpati e à Vieira, porque ou são amigas de longa data que apesar da longa data continuam sempre a surpreender-me, ou são sítios que me divertem, ou que gosto de acompanhar e andam inactivos,ou onde encontro cibercumplicidades ou ciberespelhos ou mesmo post’s dignos de registo para a posteridade das gerações vindouras.
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Receita para o sucesso e felicidade absolutos….
….pela Lucy Mangan. Se ela o diz, eu acredito (a minha régua para a credibilidade como conselheiros mede o sentido de humor e desprezo pelos pequenos percalços e grandes sucessos e nisso, a avaliar pelo que escreve, ela é exímia)
“Here is what you do. Read carefully the following list that I have compiled. It is the product of a lifetime of occasional study and comprises all the ambitions anyone should ever have in life.
1) Have a place for the Sellotape and wrapping paper. Giving presents is tedious enough without having to turn the house upside down every time you want to pretend you like someone enough to have remembered their birthday.
2) Find your dressing gown cord.
3) Find a job in a book or cake shop, depending on which you’d save first from your house if there were a fire.
4) Cook only meals that dirty just one pan.
5) Don’t be afraid to eat out of the pan.
6) Get a cat. Not if you’re bounded on all sides by dual carriageways, motorways and a shooting range, and are out 14 hours a day, obviously, but otherwise, get a cat.
7) Buy only every fifth thing you take a fancy to when out shopping.
8) Always take an umbrella.
9) And a mini A to Z.
10) And put the phone back on its thing.
11) Buy one of those plastic eggs that you put in a pan with real eggs that tells you how hard-boiled they have become. A life of perfectly boiled eggs is a life of true contentment.
12) Maybe the cat will even come and sit in your lap. You see how it all begins to tie in?
Have a bit of a tidy up and then a cup of tea.
13) If you are a woman who alternates between two favourite handbags, buy a second set of everything you habitually take with you – make-up, hairbrush, painkillers, cosh, hip flask, facsimile of the Holy Prepuce, or whatever else it is that helps you get through the day – so you don’t have to keep decanting your support system from one to the other. This is not a waste of money – it has been estimated, by me, just now, that the average woman loses 406 years of her life shifting this stuff around, so what you are actually doing is buying yourself literally hundreds more hours a day. Do it.
14) If you are a man who alternates between two favourite handbags, I suspect you may have already engineered for yourself a lifestyle that can admit of no more happiness and I applaud you unreservedly.
15) Remember, unless she’s actually in the room, your mother cannot see you. And even if she can still sense that you’re doing something wrong, she’ll never be able to prove it.
Upon fulfilment of these goals, perfect happiness, I assure you, will ensue”
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Oh tell me whyyyy I don´t like Sundays…
…esta aversão começou em pequenina com a obrigatória missa. Da qual só escapava ao fingir dormir a manhã toda (sofredora de insónias, o meu descanso era muito respeitado pelos progenitores). Isto era penoso, eram horas de tédio e abstenção de desenhos animados. E por aí continuou até hoje em que os Domingos nunca conseguem ter qualquer utilidade, vão fluindo entre aqui e ali, propensos a intensificações de neuras quando as há. Hoje decidi contrariar a tendência. Organizei sapatos por cores. Trablhei um bocadinho. Actualizei o a visualização de Gossip Girl (B rocks) e Rockefeller 30. E passei bons momentos no sofá a folhear a Pública, o I de ontem (ainda não convencida, vou dar-lhe mais um fim-de-semana) e este livro que andava a namorar há um ano e que a crise e a desvalorização da libra me permitiram arrecadar por um um décimo do que vale. E com o qual já aprendi tanto. Um dia partilho aqui. Agora termino o dia a partilhar mais esta inconsequência enquanto na televisão a Bárbara se passeia com um vestido inenarrável nos Globos de Ouro, dourado, justo e com cauda.

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Your greatest creation is the life you lead (3)
Descobri tardiamente, num sábado chuvoso e numa sala quase vazia a história da Marji. E a avó da Marji, com os melhores conselhos que já ouvi e uma perspectiva resiliente, prática e optimista sobre a vida que me comoveu e inspirou. Ainda mais porque me recordou a querida E. antes de a senilidade a arrastar para uma dimensão intermédia entre aqui e ali.
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The state that am in…e ainda por cima o meu iPod morreu.
“Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.” A citação de Beckett com que acordei. Recuso-me a endurecer a carapaça, “vale a pena ver castelos no mar alto”. Efeitos colaterais de viver com o coração nas mãos amenizados pelos que sempre cá estiveram e sempre estarão.
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A boa notícia do dia
é que após 30 anos de vida confeccionei pela primeira vez uma sopa comestível e de cor agradável à vista.
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Your greatest creation is the life you lead (2)
Na cabeceira Strangeland. No ecrã do computador, a intervalos regulares esta coluna.

Os meus super-heróis não voam nem perseguem criminosos nem gerem fortunas. Criam beleza de qualquer migalhinha de alegria, tristeza ou vulgaridade em qualquer circunstância.
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Peguei num pauzinho. Encostei-o à terra. Rodei-me rodei-o 360º. Declarei esse espaço meu. E legislei: aqui só entram corações fortes e puros.
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“Your greatest creation is the life you lead”
Não deixar que resvale para uma novela das 8, evitar lugares-comuns na narrativa, morais de sacristia em voz-off na cabeça, rasgos de heroísmo bacoco, planos feios, vilões, cobardes, maneirismos e afectações, rotinas lobotomizantes e dependências.Não deixar que resvale para uma novela das 8, evitar lugares-comuns na narrativa, morais de sacristia em voz-off na cabeça, rasgos de heroísmo bacoco, planos feios, vilões, cobardes, maneirismos e afectações, rotinas lobotomizantes e dependências. Não deixar que resvale para uma novela das 8, evitar lugares-comuns na narrativa, morais de sacristia em voz-off na cabeça, rasgos de heroísmo bacoco, planos feios, vilões, cobardes, maneirismos e afectações, rotinas lobotomizantes e dependências.Mas acima de tudo deixá-la ser única na sua imperfeição.
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A minha é maior que a