Além de que um dia terei passeio diário com o meu Cacau, tenho outra certeza sem negociações: que iremos voltar a bebericar sumo de laranja, cheios de cloro, enquanto a noite cai e naquela praça o movimento se levanta ao som omnipotente da chamada da tarde para a oração (sensação de paz que aquela chamada me traz sempre, paradoxal tendo em conta os tempos em que vivemos e as imagens que nos amedrontam). Certeza porque quer volte sozinha, com outra(s) pessoa(s) ou mesmo numa excursão tipo Inatel já de mãos enrugadas e cabelos brancos, será sempre contigo.
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Do torpor e tensão baixa causados pelo calor
De ter de dormir de janela aberta a ouvir os sistemas de rega da biblioteca
De os dias serem longos, os horários flexíveis e asim poder ir “correr” pelas dez e jantar pelas onze (sou castelhana nos ritmos)
Deste blog de apontamentos capaz de induzir nas almas mais sensíveis o Síndrome de Stendhal
Deste vídeo
Desta divagação
Da rapidez da Amazon e de um dos itens da minha encomenda me ter prendido às 8:30 da manhã, ao chegar, durante uma hora. E teria sido mais não tivessem o dever e a sede falado mais alto. Só gosto destes livros, que acorrentam à primeira. É este (impressão minha ou a temática académico envelhecido a lutar com demónios do envelhecimento, solidão, sexuais e de mérito é tema recorrente?)
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As grandes conquistas da minha vida adulta
proibidas ou escondidas pelas autoridades paternais até eu conquistar mesada e vontade própria. Cada infância tem as suas dificuldades, as minhas foram estas e tentar convencer a cada Natal os meus pais, pouco criativos e inaptos a esconder presentes, que sim, que acreditava muito no Pai Natal:



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But beware my heart can be a pin
Já vi, não a versão original, mas a ficcionada com a Drew Barrymore. A beleza em ruínas, as fachadas teatrais, a recusa em vestir o cinzento dos dias e o sacudir de plumas imperias quando tudo rui causa-me sempre, por uma conjunção de factores históricos, estéticos e genéticos, uma comoção paralisante. Vou por isso abster-me de ver o original. O Rufus de barba, por outro lado, já é uma comoção mais veraneante.
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“I promise. I will never be your friend. No matter what. Ever”
Proclamo os meus pasteís novos como os melhores soporíferos jamais inventados. Isso e cansar o corpo na àgua. Proclamo o senhor que diária e cuidadosamente alimenta o gato amarelo abandonado ( e que ontem o procurava aflito) a pão-de-ló como o meu vizinho preferido ( vizinho preferido: o gato estava nas minhas traseiras, dei-lhe tostas que imperialmente ignorou, gostei dele , é exigente). Proclamo aquela rapariga daquele conto do Pedro Paixão ( a que viva para comer chocolates e mergulhar em filmes) como o meu alter-ego literário. E proclamo a frase acima como a única declaração decente e aceitável entre dois amantes.
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Pont Neuf
Não sou literalmente uma pintora que lentamente perde a visão mas causa-me uma certa inquietação ir virando páginas no calendário e ainda não: saber dançar tango, falar francês, costurar, criar beleza com pasteis coloridos, dominar a arte da pastelaria, encontrar e decorar o lugar que me faça sentir “just like Tiffany’s” e ler o Ulisses.
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Product review (2): Becel proactiv versus Milhafre
A primeira comprei-a passada sexta nem sei bem porquê e só pagarei por ela novamente por ordem altamente tendenciosa de qualquer médico.Testei-a agora num pão pita. Caríssima. Sem sal, onde já se viu? Nem dá luta a espalhar no pão. Desconfiarei seriamente de qualquer alma com menos de 90 anos que a consuma (sim, eu julgo as pessoas pelo recheio do carrinho de supermercado, sou uma snob do retalho).

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Principais resultados de 45 minutos
a limarem-me as unhas e a arrancarem-me bocados de carne com instrumentos de tortura num ambiente spa Ikea (ainda bem que os ataques de feminite são raros):
estou muito desiludida com a Rainha Rania, não era a mais bonita no casamento da Princesa Victória
quero muito um bolero toureiro igual ao da Infanta Elena
a Letizia devia passar uns dias com aqueles gansos do foie gras
a Princesa Victória é parva e quebrou a bonita tradição escandinava de os noivos entrarem juntos na igreja como símbolo da igualdade entre sexos
e é só isto, vou terminar a minha (tentativa de ) sopa e lascar o objectivo destes produtivos 45 minutos.
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“Allways do as you please, send everyone to Hell and take the consequences”*
Gostava de ir passar uns diazitos à vida da Elizabeth David, anos 30-40, em fuga pela exótica (na altura, aos olhos dela) Europa Continental para descobrir o sabor dos limões e outros ainda mais acres e demorar-me tardes inteiras a descrever uma simples garfada.
Que agência vende mais barato transfusões de corpo acopladas a viagens no tempo?
*dedicatória de Norman Douglas a Elizabeth David
escolhi o meu cheiro por ser uma granada flowerbomb, um caminho por ter mais curvas que o fácil dá bocejite, um carro por causa de um filme holly goligthly, os amigos pelas gargalhadas altas baixas longas lacrimosas, tema de tese pela poesia na urgência das coisas aparentemente inúteis l’écume des jours, um anel leve pela história pesada o vosso, escolher-te-ei a ti um dia porque corresponde(rá)s à (in)exacta descrição de coragem daquele poema da Sophia porque
Do poder terapêutico de chafurdar na lama
acelera o processo cicatrizante de rasgões na alma pelo seguinte mecanismo:
rasgá-la em mil pedacinhos
espalhá-los ao vento a gritar “então mas ninguém repara porquê?”
ponderar cortar pulsos
desistir por ser tão “clichet”
ordenar os pedacinhos que desta vez parecem ficar numa ordem melhor
pensar que “alma tão jeitosinha que reconstrui”
sacudir a poeira
passear a nova carapaça
Tudo ao som do albúm abaixo.
“You need to live a little”
“I have, it was brilliant, I remember it, I remember doing it, it was really good”
“Yeah?”
“Yeah!”
“I don’t remember it”
“You were there”
“I think I was, it was a long time ago”
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kori-kori, pari-pari, saku-saku, pori-pori, gusha-gusha, kucha-kucha, shaki-shaki
Algumas das designações para diferentes sensações de crocante em Japonês. As Lays Gormet poderão ser kori-kori, já as
Pingo Doce ligth serão mais shaki-shaki, mas não tão saku-saku como os Doritos.
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Nunca pensei chegar um dia a este ponto
Dei por mim a citar numa discussão uma passagem do Principezinho. Quando eu citar uma daquelas belezas do caminho e das pedras do Fernando Pessoa que serão não dele mas de qualquer doméstica delicodoce inspirada pelos conselhos do programa da tarde da Fátima Lopes todos os que me rodeiam estão autorizados e obrigados a auxiliar-me na eutanásia.
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Change and chance
This too shall pass so raise your glass
to change and chance
and freedom is the only law
shall we dance...
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Product Review
Quem dimensionou as cápsulas anti celulite da Nestlé não pensou na anatomia humana, é que aquilo só vai lá com uma boa colher de Nuttella para empurrar.
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Aventurei-me desastrosamente na arte dos bolinhos da moda
, que mais não são que uns queques enfeitados e com umas variações na massa (neste caso ananás-mascarpone-manjericão e nuttela-framboesa). Mas enfeitá-los é tão divertido que agora quero muitos kits completos de estrelinhas de açúcar, borboletas de maçapão, corantes vários e papelinhos coloridos. Não sei como isto me escapou aos seis anos, é bem mais divertido que arrancar cabelos e vestir panos de cozinha à pobre da Barbie.
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Can the child within my hearth rise above? Can I sail through the changing ocean tides?
…se bem que sobrevivi a uma estreia no mundo do karting rural numa pista assassina com amigos que me tentavam tirar da pista a cada ultrapassagem supersónica. E até acelerei numa recta na última volta. Quem sai ileso disto está equipado para as durezas da vida. Vou acabar de ver o filme domingueiro de hoje: Julie/Julia (Meryl Streep rocks, Julia Childs rocks even more), bon apetit!
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Não parece mas esta frase
lembra-me sempre – ou vice-versa? – o “Dance dance dance ” do Murakami. O que por sua vez me leva ao vídeo debaixo da frase. Aí fico num passado longínquo que me projecta para o futuro. E do futuro, incógnita cujo valor ninguém conhece – não, nem a Maya- uma única certeza, um único pormenor sem negociação: vou ter um Labrador chamado Cacau que vai saber andar sem trela e esperar por mim á porta da padaria.
Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force nunca; seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor, nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida
Agostinho da Silva
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Abrir a terceira gaveta para tirar a faca assassina do pão responsável pelo relevo interessante da unha do meu polegar direito e planear a ocasião para estrear as forminhas de queques em forma de coração e estrela, pintar as unhas de azul turquesa, acabar com o stock de trident de melancia do sitio do costume cá da terra para perfumar todas as gavetas da casa, ouvir de enfiada M.I.A. a horas impróprias e os vizinhos não ralharem porque são piores que eu, correr já quase 5 km sem parar a ouvir Animal Collective, som que diversifica as matizes do entardecer e intensifica o cheiro a quente do Verão que se aproxima timidamente, correr com força e imaginar que piso tudo o que me prende as asas icarianas, repetir às vezes alto demais que a minha vida não é nem pode ser uma novela venezuelana de segunda categoria, é e sempre será um filme pseudo-independente pretensioso!
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