Hoje depois de uma dose dupla de

repartições públicas, concluí: são os sítios mais hostis que já pisei. As máquinas dos bilhetinhos com a vez estão sempre encravadas, o que nos obriga a grandes malabarismos e contribui para a irritação inicial. Despois disso é sempre a subir. Ninguém ali quer estar porque tem mais que fazer, até as velhotas reformadas e solitária preferem o centro de saúde por que ali ninguém lhes dá corda à descrição das doenças. Problema temos nós com declarações atrasadas, qual diabetes qual quê. As senhoras que atendem estão à defesa porque sabem muito bem que nós sabemos que leem o e-mail cheio de powerpoints com mensagens de amizade e correntes de desejos na longa pausa entre clientes. Nós cheios de medo com papeis incompreensíveis estamos ao ataque, porque temos a crença profunda que elas não passam de mentes sádicas que bloqueiam de propósito o computador quando chega a nossa vez.. Há ameaças de coima imanente. O próximo na fila é uma ameça. Porque está visto, so pensa em estratgemas de nos passar à frente. Até os bebés Nestlé rosadinhos cuchti cutchi se tornam irritiantes, porque ou choram ou riem abafando os nossos bufares de descontentamento.
Da próxima levo bombons. E uma flor. E nariz de palhaço. E mais trocos para a coima.

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Abençoados. Os que conseguem seguir em linha recta sem fazer perguntas daquelas que fazem comichão. Os que ignoram abismos e não espreitam pela porta proibida. Os que conseguem não virar do avesso o que amam, não escarafunchar e querer conhecer tudo, em especial o que doi e incomoda. Os que tapam as feridas em vez de as expor em praça pública, os que não trazem nas mãos o coração aberto ao vento, são sensatos e nunca traíram ou mentiram. Os que conseguem viver mais ou menos, gostar mais ou menos, foder mais ou menos. Os que nunca sofrem insónias, nunca bebem demais nem levantam a voz. Abençoados esses que nunca cruzaram a ténue linha que nos separa da loucura, nunca questionaram se essa linha será mais à frente mais ao lado, ou mesmo aqui. Os que não ouvem mil vezes canções que fazem mal e sempre se inibiram de escrever versos medíocres. Abençoados. Parece-me bem que é deles este reino da terra.

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Do Darjeeling Limited,

além das cores da Índia, do rosto do Adrien Brody (provavelmente o mais bonito do mundo) e do absurdo das personagens que são caricaturas de si mesmas como todos nós em momentos limite, ficou o momento suspenso da curta metragem que introduz o filme.

A música da qual ainda não sei o nome*, porque enfim confesso que o filme se prolongou demasiado para o meu gosto e já nem a procurei no genérico. E esta frase que não sei se é de amor, puro egoísmo ou mesmo amizade:

“…-I don’t wanna loose you as a friend

– I promise I will never ever be your friend …”

*a música, sei-o agora, depois de num momento de procrastinação a pesquisar no google é esta:

Where do you go to (my lovely), Peter Sarstedt

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Icarus

The precise moment I stopped loving you was when:

you didn’t dare to

wear our home-love-made-chicken-feathered-and-snowdrops wings

jumping high into the sun

with me

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Decisions decisions

Corto o cabelo como a menina ali do vídeo abaixo (Feist, I Feel it all) para tornar mais realistas as manhãs em que me arrasto de pijama em karaokes desta canção (que é linda, lúcida e energizante). Ou como a Kate Nash, assim mais despenteado (também gosto do ar mimado-revoltado dela)? Ou deixo ficar, apesar de começar a parecer a parente mormon dos Kelly Family?

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O erro de Lavoisier

Há coisas que se perdem, nem tudo se transforma.

Quando um amor, mesmo um muito grande acaba, torna-se em nada. Um espaço vazio que sabe a e pesa a pedra, mas não o é. Vazio onde estavam risos, lábios,dentes, nada em lugar de braços que antes eram apêndices, sussurros cujo sentido se eclipsa, calor que arrefece e petrifica.

Lavoisier errou.

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easy listening o tanas

se fosse easy listening não tinha de moderar as doses. não mais de duas vezes repetidas nunca mais de uma vez por dia. não em jejum nem antes de um chá preto bem forte. jamais antes de deitar para evitar doces pesadelos.

“…I get along without you very well
Of course, I do
Except when soft rains fall
And drip from leaves
Then I recall
The thrill of being sheltered in your arms
Of course, I do
But I get along without you very well…”

Chet Baker

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Every driver tells a story

Diz aqui o Ricardo que as mulheres que andam a grandes velocidades na estrada lhe transmitem a ideia de fogosidade sexual. Pois também tenho a minha opinião sobre o desempenho de homens que conduzem como se o mundo acabasse amanhã. Duas palavrinhas apenas: ejaculação precoce.

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Buy some furniture, give the cat a name

“Well, when I get the blues the only thing that does me any good is to jump in a cab and go to Tiffany’s. Calms me down right away. The quietness and the proud look of it; nothing very bad could happen to you there. If I could find a real-life place that’d make me feel like Tiffany’s, then – then I’d buy some furniture and give the cat a name!”
Holly Golightly, in Breakfast at Tiffany”s

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Robert Downey Jr fotografado por Mary Ellen Mark (Vanity Fair, Agosto 2007)

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Descoberto via Rita (e para quando um link para associar a este nome?)

este senhor . com letras como esta. de uma tristeza e desajuste que comovem mas fazem rir. se das coisas mais rídiculas se extrai beleza só há que encolher os ombros e seguir em frente “no matter what”.

” People seem to think a shy personality equals gifted
But if they would get to know one I’m sure that idea would have shifted
Most shy people I know are extremely boring
Either that or they are miserable from all the shit they’ve been storing”

” But Nina I can be your boyfriend
So you can stay with your girlfriend
Your father is mailing me all the time
He says he just wants to say hi
I send back “out of office, auto-replies”

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…Ouch I have lost myself again

Lost myself and I am nowhere to be found,
Yeah I think that I might break
I’ve lost myself again and I feel unsafe

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I’m needy
Warm me up
And breathe me…

Breathe , Sia

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Bipolar?

Duas newsletters que hoje recebi de enfiada no mail: net-a-porter.com e esquerda.net. Sei bem qual a que me tornou o dia mais leve ao apresentar-me um digno objectivo de vida, bem de vida talvez exagere mas objectivo objectivo do Verão 2008

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Mantra

é que temos de tomar decisões mesmo quando temos dúvidas.
o mundo não é a preto e branco. mas temos de ter coragem de agir,
assumindo as nossas dúvidas

Ana Luisa Guimarães, acerca da peça que encena no Maria de Matos – ‘A Dúvida’. Citada aqui

Já queria ver, muito pela Eunice Munoz. Agora TENHO de ver. Foi de encontro ao meu mantra.

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2008

começou bem entre sol, Bombay e amigos mas com a mais difícil das mudanças. Daquelas que esvaziam e precisam de um constante mantra interior para se manterem. A próxima resolução só pode ser incorporar devagarinho mas bem o significado de: coragem, independência e alegria.

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Primeira e prioritária resolução para 2008

Penteado igual à Amy Winehouse ( parecido, vá…)

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Ms Scrooges

Fiz de tudo. Fui ver as luzes à Baixa, ouvi e cantei as musiquinhas da época. Vi o “Love actually”, mexi massa de sonhos e espalhei estrelas douradas na àrvore. Embrulhei presentes personalizados com a minha marca inimitável de fita cola torta e papel raspado com lacinhos pseudo-artísticos. Comi o bacalhau entre risos, refilices e família.

De nada valeu. Este ano, o Natal não desceu sobre mim. Desceu sobre mim apenas uma grande constipação. Valeram-me uma lareira quentinha, e, principalmente a companhia do Chico na 2. Isso sim, me poupou à visita do espírito do Natal Futuro. Isso e o albúm que preparámos para avó, que tem os ohos ainda mais lindos que o Chico da 2

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dance dance dance dance dance to the radio

tudo ao cinema já. depois de ouvir isto duas ou três vezes.

ps: decidi que a minha vida não faz sentido até ter um poster “kingsize”do Ian curtis a dançar com os braços a balançar daquela maneira entre o tímido e o louco (sabem qual é a maneira não sabem?). Regredi aos 15 anos e estou a gostar.

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Quote of the day

“Eu acredito muito nas vozes que oiço”

“Guru das estrelas” na sic esta manhã, entre afirmações muito sérias sobre auras e energias e claro, vozes.

Ai, nada como o humor involuntário da televisão matinal para me descontrair dos doze trabalhos de Hércules.

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these are a few of my favourite things

Liberty, ou o poder terapêutico de babar horas a fio entre escadarias e paredes de madeira, para cima dos vestidos do Dries van Noten, dos blocos de notas mais bonitos do mundo,de porcelanas raras e candelabros de feltro.

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