Fiz de tudo. Fui ver as luzes à Baixa, ouvi e cantei as musiquinhas da época. Vi o “Love actually”, mexi massa de sonhos e espalhei estrelas douradas na àrvore. Embrulhei presentes personalizados com a minha marca inimitável de fita cola torta e papel raspado com lacinhos pseudo-artísticos. Comi o bacalhau entre risos, refilices e família.
De nada valeu. Este ano, o Natal não desceu sobre mim. Desceu sobre mim apenas uma grande constipação. Valeram-me uma lareira quentinha, e, principalmente a companhia do Chico na 2. Isso sim, me poupou à visita do espírito do Natal Futuro. Isso e o albúm que preparámos para avó, que tem os ohos ainda mais lindos que o Chico da 2
Liberty, ou o poder terapêutico de babar horas a fio entre escadarias e paredes de madeira, para cima dos vestidos do Dries van Noten, dos blocos de notas mais bonitos do mundo,de porcelanas raras e candelabros de feltro.
Quando acabar de escrever esta coisa sobre cappuccinos e cia, vou focar a minha atenção nas vantagens estéticas da combinação eyeliner-barba em homens. Já tenho dois “case studies”. Um será o Devendra Banhart numa série de fotografias que o google me mostrou e agora escondeu, o chato. O outro serão os Talibans naquelas fotografias que eles tiravam às escondidas quando não estavam a explodir monumentos, abraçadinhos, dóceis e maquilhados – saiu numa Pública, “google says no”…chato.
…é que era o Kafkinha, o das patinhas com as manchas mais lindas, maravilhas, obras-primas da genética canina, do pêlo mais macio e quentinho do mundo, dos olhinhos mais meigos e marotos, o criador de alegria instântanea com uma só corrida dispara(ta)da, que merece perto de si para sempre o favorito indestrutível osso azul, um fornecimento eterno de biscoitos, almofadas e daquelas festinhas debaixo da orelha que (nem tem discussão) só eu sei fazer.
Marina Hyde no G2 de hoje a propósito do “Sex and the city- the Movie”:
“…above is the latest picture to emerge, which would in normal circumstances suggest a wedding was on the cards, but in the show’s costumery traditions probably just shows Carrie nipping out for a pint of milk and a scratchcard”
Vou-me apercebendo que vou ter saudades de mil e uma pequenas coisas do país adoptivo, uma delas certamente o sentido de humor dos cronistas.
minhas curtinhas mas bem gozadas férias de “Verão” em Setembro: Amélie Nothomb. Nada surpreendida de ter gostado (de preguiçosa que ando “gostado” quer dizer “li até ao fim”); claro que as palavras de alguém que escolhe o chocolate Belga como único alimento me iriam agradar.
da estética “kitsch”. Talvez seja da idade, do exílio, ou mesmo qualquer explicação Freudiana relacionada com o conforto de lanches em casa da avó o justifique. Não interessa o porquê. Hoje ao passear pelo Bolhão (tão Almodovoriano, a sério se ele o descobre dá filme) entre senhoras que decoram as bancas com Nossas Senhoras de Fátima Fluorescentes, que têm no bolso das batas rebuçados para as crianças, que espreitam a novela numa mini televisão enquanto tricotam e vendem pão não embalado de preço variável consoante a disposição e o cliente e manipulado sem luvas (ASAE vá de recto), entre velas e calendários de santinhos, engraxadores que assobiam e senhoras de carrapito que aos 80 anos ainda usam baton vermelho e sapto tigrado, senti-me em casa numa cidade que não é nem nunca foi a minha. Não se espante quem um dia me visite para encontrar um galo de Barcelos daqueles que mudam de cor com o tempo na cozinha, naperons de renda num sofá de veludo, boneca sevilhana em cima da televisão.
que é meter a vida toda em caixas e carragá-la daqui para ali. Frequentemente, duas vezes por ano, pelo menos.
Os frades Franciscanos devem ter tirado a ideia de despojo dos bens materiais depois de viverem como estudantes exilados. Já fui comprar mais malas, já fui cravar caixas ao senhor da loja dos kebabs, já despachei camisolas justas e calças “bootcut” (“so 2004”) para a OXFAM e mesmo assim ainda me sobram coisitas sem abrigo. Papéis com incrições enigmáticas, apontamentos, artigos que jamais irei ler, agendas velhas, 1000000 mill engenhocas de cozinha (uma coisa para separar a gema da clara, uma coisa para raspar cenouras, uma ainda para esmagar alhos…), luvas desemparelhadas. Vida preenchida, a abarrotar, diria mesmo. De bugigangas pelo menos.
A cumplicidade é provavelmente a coisa mais confortante do mundo. Tão bom quando um olhar, um meio soriso, um instante explicam tudo sem dizer nada. Escusa-nos a manchar com palavras que nunca chegam bem lá coisas simples e puras. Outros motivos haveria, como o próprio Chico e a música que é líndissima mas se não me canso de ver este vídeo é pelos olhares tansparentes e sorrisos de cumplicidade entre o Chico e o Caetano.
O que apetecia era ficar muito paradinha, tirar férias de mim só um bocadinho e voltar daqui a uns meses descobrindo um desfecho, bom ou mau, mas do qual eu pudesse lavar as minhas mãos e seguir em fente.
“I’m sure you now realize how important it is that your students are taught this alternate theory. It is absolutely imperative that they realize that observable evidence is at the discretion of a Flying Spaghetti Monster. Furthermore, it is disrespectful to teach our beliefs without wearing His chosen outfit, which of course is full pirate regalia. I cannot stress the importance of this enough, and unfortunately cannot describe in detail why this must be done as I fear this letter is already becoming too long. The concise explanation is that He becomes angry if we don’t.”
“You may be interested to know that global warming, earthquakes, hurricanes, and other natural disasters are a direct effect of the shrinking numbers of Pirates since the 1800s. For your interest, I have included a graph of the approximate number of pirates versus the average global temperature over the last 200 years. As you can see, there is a statistically significant inverse relationship between pirates and global temperature”
Alguém lhes explique, taditos, que é muito provável que o jantarzinho de ontem tenha sido transgénico (vulgo a soja que decerto comem, já que aposto numa taxa de vegetarianismo de 90%) .
Perdida entre mil teorias, números e figuras meio abstractas, o bichinho de me levantar da cadeira, virar as costas ao computador e produzir qualquer coisa de pálpavel e com a qual me identifique intensifica-se. Falta o saber como e a coragem de arriscar pisar terreno desconhecido.
Entretanto inspiro-me na “loucura” de outros. Loucura bem sucedida, entenda-se. Os “smoothies” são deliciosos e a embalagem linda (e reciclável). O marketing da companhia convence qualquer “muesli eater-guardian reader” e, talvez por isso, vendem como pãezinhos quentes apesar do preço:
“Sunk in illusions and fantasies, far from the glorious past of the Bouvier family (Big Edie was Jackie Kennedy’s paternal aunt), they bicker, sing pop love songs and live out a dream of elegance that is constantly contradicted by the mess and sadness around them.In the films, Big Edie is a snappish, brusque-seeming lady who was once a talented singer and now seems to reside mostly in bed. Little Edie was a beauty in her youth but abandoned hopes for an acting-entertaining career in New York; she has spent most of her life with her mother. Occasionally they sing. But though Big Edie remembers the words and tunes, Little Edie often wanders off them. At one point, she wrongly sings and re-sings the lyrics to Victor Young’s “Around the World in 80 Days” theme song until she drives you almost crazy.
Edie is also given to a bizarre, personal fashion style that consists of improvised skirts and constant high-style headwear covering her hair. (We never learn why.)
In fact, the two women are entertainers, and brilliant ones. But their life is their show–which is what the filmmakers cannily caught in “Grey Gardens” ”
“No one minds it at all If I’m having a ball This is a musical And there’s always someone To catch me There’s always someone to catch me There’s always someone to catch me There’s always someone to catch me When you fall Why do I love you so much? What kind of magic is this? How come I can’t help adore you? You were in a musical.” Bkjork, Dancer in the Dark, In the musicals ..so if I fall, I must stand up by myself.