Tenho uma relação amor-ódio com o aqui, é bom imediatamente ao chegar, ainda melhor depois de partir, em retrospectiva. Ainda pior a relação com o agora. Daí melancólica. Daí ansiosa.
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Correntes
Como prova, minha querida, que não só gosto muito de ti mas também sou uma procrastinadora profissional, aqui vai a resposta à corrente que me encaminhaste:
Regras : colocar uma foto minha no blog (hum hum), escolher uma banda respondendo às questões com títulos de canções dessa banda (estes questionários andam cada vez mais rebuscados) e reencaminhar para 4 bloggers. Escolho Belle and Sebastian e aqui vai:
1) És homem ou mulher? I’m a cuckoo
2) Descreve-te: Is it wicked not to care?
3) O que as pessoas acham de ti? Asleep on a sunbeam
4) Como descreves o teu último relacionamento: You made me forget my dreams
5) Descreve o estado actual da tua relação: The rollercoaster ride
6 ) Onde querias estar agora? Another sunny day
7) O que pensas a respeito do amor? Expectations
8) Como é a tua vida? Wraped up in books
9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? A Summer wasting
10) Escreve uma frase sábia: Get me away from here I am dying
E passo ao Paulo, ao We, ao Garfield e à Pushpati,que não só devem ter umas respostas giras, como também me conhecem estando assim à vontade para se marimbar para estas correntes sem etiquetas virtuais…
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Tudo o que interessa
Instantes perfeitos. Porque condensam na minitude de um grão de pó tudo o que interessa. Os antídotos à anestesia que a constância por vezes traz. O medo de partir e medo de ficar. O formigueiro na ponta dos dedos ao tocar sempre pela primeira vez uma pele que tão bem se conhece. A electricidade estática que espirala a luz no ar e faz levitar as certezas para bem longe.
Many miles from where I’m sleeping
You share laughter in the evening
As do I, in the great divine
Yours is mine
We’ll find love
The kind we’re dreaming of
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Made my day – a alegria dos outros
4 boas vibrações de vozes distantes hoje ao abrir o gmail.
Palavras de entusiasmo de um ex-orientador que me enfiava chocolates nos bolsos à avôzinho depois de 3 horas a questionar cada palavra, suposição, conclusão minha. O bebé da A. que possivelmente nunca mais vou ver, vestido de abóbora ao colo da mãe para celebrar o Halloween nos EUA. A entrega da M., que me encheu de alegia e me lembrou a directa do projecto em casa dela a dizer disparates e a fotografar disparates . A confissão feliz e envergonhada da K que prestes a terminar o PhD anda a planear uma vida de doméstica.
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Comprei gerberas. Entre o roxo e o rosa. Uma cor artificial muito bem conseguida, disponível em qualquer esquina no “sítio do costume”. Hesitei ao comprrá-las porque me lembraram aquelas flores azuis tingidas a tinta das bic. E uma tulipas quase negras que um ano despontaram do nada no nosso jardim fruto de cruzamentos aleatórios. E, mais importante ainda, as flores compradas por Colin para envergonhar o nenúfar que matou Chloé. Aí, comprei-as.

“Na vida, o essencial é emitirem-se opiniões a priori a propósito de tudo. Efectivamente, bem se vê que as massas erram e os indivíduos têm sempre razão.(…) Existem apenas duas coisas: o amor, de todas as maneiras, com raparigas belas, e a música de Nova Orleães ou Duke Ellington. O resto deveria desaparecer, porque o resto é feio...”
Boris Vian, execerto do prólogo de “A Espuma dos Dias”
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The exact words I needed to jumpstart my day
or even, maybe, (re)jumpstart my life! Brought to me by recomeçar
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Policial fixa com gorjetas
…é a frase escrita na embalagem de ganchinhos para o cabelo que comprei ontem no chinês. Fiquei hoje 20 minutos a ohar para ela. Será que está em espanhol e quer dizer alguma coisa que não entendo? Será que tem uma piada subjacente que eu não atinjo? Efeitos secundários de uma noite longa: inércia, ansiedade e pasmo demorado perante estas pequenas coisas.
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em franja
eu que tenho uma sensibilidade apurada para oscilações de temperatura nos olhares, de força nos abraços e de tremor nos medos com um ampliador de angústias acoplado e uma impaciência sem fim nem cura vivo por vezes em sobressaltos de rã em arfares de donzela prestes a desmaiar. já lhe chamaram macaquinhos no sotão. também mania da perseguição. mas por uma ou duas vezes acertei em cheio, grande “##$%%&.
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Always look on the brigth side of life

Esta tira do Calvin lembrou-me esta música dos Monthy -a do título do post- que me lembrou aquele filme de tanga que tanto gostei onde a vida da Gwineth Palthrow se desdobra em duas. Uma “pós-perder-o-metro-e-não-apanhar-o marido-adúltero-em-flagrante” na qual ela passa a trabalhar a entregar sandes e tem um penteado pobrezinho, rabo de cavalo tristezeco, e continua a ser traída à grande. Outra “pós-perder-o-metro-e-apanhar-o marido-adúltero-em-flagrante” na qual sai de casa, funda a própria empresa e tem um penteado efeito “wow” curto e platinado. Este filme fez-me então pensar se perdi o metro as vezes certas, se corri para a porta não se fechar nas erradas, no Efeito Borboleta, na impossibilidade de guiar a vida a esquadro e régua Mas nem vou por aí, chovem sapos, é o meu mês preferido – o do outono e dos lápis novos, o verdadeiro primeiro do ano para mim- e só isso interessa. E mais: ambas as Gwineths desdobradas foram parar ao hospital com uma panada de um carro e ambas conheceram o escocês cheio de sentido de humor e fã de Monty Phyton que lhes estava destinado.
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Saudades dela
Assim se aproximou do fim, entre pesadelos com a mãe louca e rotações impossíveis de espaços. Procurava na porta da rua a cozinha, na janela o armário dos cristais. No armário dos cristais, um suposto espelho devolvia-lhe uma imagem polida a sépia de tardes de brincadeira com os irmãos e só assim regressava à cama descansada.
Talvez na vida, quando as memórias empurram o presente e ocupam os dias de quem lentamente envelhece, quem tenha muitas e muito intensas inevitavelmente enlouqueça. Uma a uma conseguem-se enxotar. Mas não todas. Não continuamente. A mãe louca e nua a correr pela aldeia. A trazer-lhe de bandeja uma culpa não identificada, uma visão deturpada do que poderia ter sido “se ao menos”. As irmãs com 13 filhos, o casamento arranjado, os bebés que lhe fugiram antes de gatinhar. Repetia para si e para quem a ouvisse, entre costuras tortas, a sua história.
Assim se aproximou do fim, coração aberto, desventrado a todas as pequenas falhas que nos prendem à condição humana, que nos ancoram à terra. Berrou em cada dia numa voz lenta de louca pormenores tão particulares como. Como o lençol que bordou para o primeiro filho. Como a primeira palavra que leu à custa dos serões passados sozinha a decifrar um alfabeto hostil e desconhecido. Pormenores tão particulares que na sua voz repetidos à exaustão se tornaram a cortina do seu acto final. Ela desapareceu entre as suas memórias, ficou de si um linha por enfiar na agulha “quem me dera ainda ter a tua vista filha” e uma inquietação de bicho enjaulado. Foi isso que ficou. Isso e um amargo na alma, da ausência de doçura que a loucura traz, da falta de paz, da perdição que se sente quando as paredes rodam e os relógio se atrasam nas nossas costas
Palavras chave para os motores de busca de quem ela foi, que surja em resposta ao seu nome o seguinte ou que surja o seu nome resposta ao seguinte: amargo na alma, doçura imensa perdida, bicho enjaulado, linhas desencarrilhadas.
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The state that I am in (24)
A abrigar-me de uma chuva de sapos. Às vezes roda tudo muito depressa e dá vertigens. Gosto. Gosto porque recupero ao de leve, muito muito ao de leve a sensação de espanto de existir com que a infância me presenteava em alguns momentos.
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“Who killed the pork chops? What price bananas? Are you my Angel?”
“What thoughts I have of you tonight, Walt Whitman, for
I walked down the sidestreets under the trees with a headache
self-conscious looking at the full moon.
In my hungry fatigue, and shopping for images, I went
into the neon fruit supermarket, dreaming of your enumerations!
What peaches and what penumbras! Whole families
shopping at night! Aisles full of husbands! Wives in the
avocados, babies in the tomatoes!–and you, Garcia Lorca, what
were you doing down by the watermelons?
I saw you, Walt Whitman, childless, lonely old grubber,
poking among the meats in the refrigerator and eyeing the grocery
boys.
I heard you asking questions of each: Who killed the
pork chops? What price bananas? Are you my Angel?
I wandered in and out of the brilliant stacks of cans
following you, and followed in my imagination by the store
detective.
We strode down the open corridors together in our
solitary fancy tasting artichokes, possessing every frozen
delicacy, and never passing the cashier.
Where are we going, Walt Whitman? The doors close in
an hour. Which way does your beard point tonight?
(I touch your book and dream of our odyssey in the
supermarket and feel absurd.)
Will we walk all night through solitary streets? The
trees add shade to shade, lights out in the houses, we’ll both be
lonely.
Will we stroll dreaming of the lost America of love
past blue automobiles in driveways, home to our silent cottage?
Ah, dear father, graybeard, lonely old courage-teacher,
what America did you have when Charon quit poling his ferry and
you got out on a smoking bank and stood watching the boat
disappear on the black waters of Lethe?”
Allen Ginsberg. A supermarket in california
Hoje troquei a palavra cantada pela falada no Ipod.Descobri que há mais quem se perca a deambular entre prateleiras alinhadas de detergentes, comida de cão e outras coisas que não se vão comprar a pensar em tudo menos comprar. A ver. Tudo menos os detergentes e a comida de cão. Descobri que asensação de alienação que a voz do padre na missa sempre me deu também a alcanço a ouvir o Allen. Vou ali aspirar a ouvir o Howl. 21:19 min para três divisões e nem mais um segundo.
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The state that I am in (21) – sponsored by little edie, the national and you
Small things like Stones and feathers Hand-made fake wings glued With our silly hopes To our backs broken and broken and broken again From jumping into dark hollow abysses not knowing not caring About reasons or outcomes Small things like Lost penny coins dried leaves from ancient trees Snake skins plastic rings small things all aligned along the sinuous roads of our kingdom inhabited by us only and secretly in the twilight of our love Small things like these we gather in the Technicolor screen of where we want to go of who we want to be Will you bear me by your side When I get all Grey Gardens like?
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Gosto de contrastes (2)
Corrijo, gosto de alguns contrastes. Não do que hoje encontrei entre o mais longo dia do ano e a cor cinzenta da praia do costume. Mas nem tudo está perdido. Apesar do estado de sítio na cozinha, a compota está bem e recomenda-se.
Adenda: está bem e recomenda-se caso o ponto castelo que se usa nas claras se aplique em compotas. A minha vence a lei da gravidade.
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Desporto no campo – tentativas
Se para mim correr por si só sem paragens nem batotas já é um grande desafio, com um rafeiro alentejano a mroder-me o ipod, os atacadores, contentíssimo a tentar derrubar-me para as silvas torna-se uma missão impossível…
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lado lunar
porque há quem insista em puxar brilho à personalidade quando os laços mais fortes – de amizade ou de amor ou de outra coisa qualquer que isto os laços têm nuances subtis e numerosas – nascem da partilha ou descoberta da pequena falha, do inconfessável medo, da mais peculiar mania?
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