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Nos primeiros dias…

…ainda fiz cerimónia mas eu sabia, no exacto momento em que o estava a comprar, que mais tarde ou mais cedo o célebre caderno onde o Hemingway e o Van Gogh rascunhavam ia ver a sua honra ofendida com qualquer coisas do género: batatas, rolo de cozinha, mel, salmão. Foi ontem.
Tenho de deixar de ir em modas e assumir que sou mais uma miúda Agatha Ruiz de la Prada que uma miúda Moleskine.

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"Da sanidade" ou "Uns mesitos na quinta dimensão não me hão-de fazer mal…"

Será pedir muito não viver num manicómio? Ora, o rapaz do quarto debaixo do meu uiva(juro), assobia, canta ri e geme SOZINHO a noite toda e não conhece o termo “guardanapo” nem a utilidade de tal coisa. A rapariga do quarto oposto ao meu andou ontem o dia todo a pedir aos restantes elementos da casa de malucos que lhe dissessem o que pensam dela na cara, que a cabeça dela está em ebulição e que por isso tem atitudes esquisitas (como ela até aí não saía do quarto é possível que tivesse tido atitudes esquisitas, mas as paredes são demasiado opacas para confirmar). Para descontrair, claro, acendi a televisão e só vos posso dizer uma coisa: se sofrerem de insónias não vejam documentários sobre “combustão humana espontânea”. Até vos digo outra: se sofrerem de insónias evitem viver em residências de estudantes inglesas; se o papel de parede não vos enlouquecer a população “vibrante e internacional” tratará disso.

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Ícone

Depois da imagem da Audrey Hepburn/Holy Golightly aparecer em tudo o que é mala parola, tabuleiro envernizado e postal sonso decidi escolher outro. Mas continuo indecisa.

É este

contra este:

A parte de mim que anda agora todas as segundas-feiras, com esta idade!, a saltitar de biquinhos nos pés até ganhar caímbras inclina-se para o primeiro. A parte de mim que tem palpitações quando ouve “All tomorrows parties” e por vezes ainda se interroga, entre a caixa do supermercado e cadeado da bicicleta, se a cena do elevador do filme do Oliver Stone aconteceu mesmo inclina-se para o segundo. Que vença a melhor…

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Yupi

Hoje é dia disto. A minha nova “novela das oito”.

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Gosto muito

de fingir que a minha vida não é da minha conta. Tiro assim umas folgas e vejo-a passar. E independente, que ela é? É que já nem olha para trás à minha procura.

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I’m dreaming…

of a blue summer.

Assim:



Posted by Hello

da Chloe, copiado brevemente numa HM perto de si

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Bocadinhos de saudades, pedacinhos de luz, sorrisos que me guiam. Sitios, coisas, peles onde espalhei bocadinhos de mim. Abafados em gavetas, escondidos em caixinhas, trancados, esquecidos, expostos em paredes, trespassados por “pionaises”, com os cantos dobrados e estragados da cola. Quanto de mim ali ficou, quanto de mim levaram, quanto deles trago comigo na ilusão de uma imagem? Posted by Hello

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Merda, hoje estou na curva descendente da montanha-russa…*

Sou esse pó que escondeste

Devagarinho com o pé

Para o canto debaixo

Da mesa no canto da parede

Onde os teus papéis se acumulam

Num equilíbrio que desafia a gravidade

No canto onde naquele dia me encostaste

E me fizeste contar as estrelas do céu

Uma a uma a uma

Até à última

(uma muito pequenina que nunca existiu)

*…e já agora, farta da montanha-russa. Eu era mais planícies agora.

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Esta semana…

…decidi deixar-me de contemplações, de horários flexíveis ao sabor da preguiça e horas seguidas a ler a mesma página entre bocejos. Fiz daquelas listas de tarefas que se vão riscando, risquei todas e mais algumas todos os dias, trabalhei das 9 às 6. A somar a isto (como se não chegasse) tive cuidado com a alimentação, arrumei a roupa sempre (a “cadeira da roupa” nunca esteve tão leve), dobrei o pijaminha e não ignorei um único dia aqueles cremes de limpar a pele antes de dormir

Resultado? Hoje cheguei a casa, tropecei na cama e depois de uma sesta abro um livro, leio um dos meus poemas preferidos e não sinto nada. Preocupada, ponho-me a ouvir uma das minhas músicas preferidas e passados dez segundos estou a pensar num parágrafo qualquer de um relatório que entreguei. Se amanhã quando te abraçar não me voarem borboletas na barriga interno-me aí num sítio qualquer.

Esta semana descobri que a virtude não é para mim. Resolução tardia para 2005: convencer o resto do mundo de como a preguiça aguça a sensibilidade.

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É amor…

Mais cedo ou mais tarde eu ia fazer isto (não consigo evitar é aquela compulsão, partilhada por quem tem bichos em casa, de fotografar o animal de estimação de todos os ângulos e exibir babado a fotografia).Por isso, e como até vai bem com os tigrinhos faço mesmo agora:



Kafka Posted by Hello

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Tigrinhos



Posted by Hello

E estava eu já completamente apaixonada pelos

bichinhos, a pensar: coitadinhos estão a sofrer mais que o Bambi, a pensar que mau era o senhor do circo que lhes batia e fazia o Kuma saltar aros de fogo, quando me lembrei que os tigres lindos-lindos-lindos que estavam a fazer o filme também devem ter levado uns tabefezitos, também foram roubados à floresta e também estavam desviados da tigreza natural de andar livremente a esfarelar bichos mais pequenos até ficar satisfeito e com os bigodes cheios de sangue. Bolas!

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Balanço de 2005 …

…ainda não tenho resoluções, aquilo das doze passas nas doze badaladas é muito rápido para mim, mas vendo bem isto não está a correr mal:

-já chupei azedas, o que tele-transporta novamente para a felicidade do metro e dez sem dentes da frente e totós espetados



-e, apesar de ter dedicado as férias a intoxicar-me de sonhos encharcados em calda, coscorões, pão-de-ló e à avaliação intensiva de qual o melhor bombom dos 3450 que me ofereceram (e não me estou a queixar, nunca são demais), emagreci dois quilos. Franceses cuidem-se, acabei de descobrir o “paradoxo português” e estou desconfiada que deve estar relacionado com a sopa.


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Deixou a alma debaixo do tapete da entrada já gasto que tinha escrito “Bem-vindo” em seis – seis! – línguas diferentes. Varreu-a por descuido, esqueceu-se de para onde a tinha empurrado e quando se lembrou decidiu que aquele era um bom sítio para a deixar.

Antes debaixo daquele que debaixo de um das centenas de tapetes que, em feitio de mosaico, cobriam o corredor, a sala fechada das visitas e da cristaleira, a sala pequenina da lareira onde se torrava pão e se aqueciam as mãos ao chegar – essa, sim tinha escrito “Bem-vindo” numa linguagem universal – e a sala das malhas e bordados da mãe.

A mãe via muito pouco e demorava uma tarde para conseguir enfiar a linha no buraco da agulha. Às vezes quando finalmente conseguia já tinha escurecido e tinha de a deixar de lado para o dia seguinte.

Deixou a alma abandonada à mercê das pisadelas das visitas que tardavam e para quem sempre estavam reservados biscoitos já duros numa lata pintada à mão com cavalos, carruagens e princesas desdenhosas.

Talvez, saindo sem ela, o mundo lhe parecesse mais leve, as distracções e embaraços o fizessem rir. Talvez, com ela assim escondida e protegida, tivesse um dia vontade de destapar o carro, de o tirar da garagem e ir devagarinho passear a mãe à marginal ao ritmo dos domingos. E quem sabe, entre os risos das crianças dos outros, encontrasse coragem para procurar a sua, para rematar o pagamento das bicas e das queijadas com uma piada à menina da pastelaria que até tinha uns olhos bem bonitos? Talvez a pudesse deixar – a alma – bem escondida o resto da vida para não estorvar e escrever no testamento – não disso não se podia esquecer – que a colocassem no caixão quando partisse, amachucada entre o lenço de seda e o cravo branco na lapela.

O tapete da entrada. Era um bom sítio para a deixar, repetiu antes de sair.

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Ah, então é por isso

Hai-Kai

Nós temos cinco sentidos:

são dois pares e meio d’asas.

-Como quereis o eqílíbrio?

David Mourão-Ferreira

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É só mesmo para, muito rapidamente, desejar um 2005 cheio de alegria, decisões cumpridas ou ignoradas com charme, mimos, emoção, birras, pazes, enfim cheio de vida e de todas as coisas que isso acarreta! Ah, e uma passagem de ano a transbordar de champagne, claro. Posted by Hello

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Ontem decidi o sítio onde quero passar o resto da vida. Hoje, a brincar ao faz-de-conta-que-agora-ia-lá-comprar-uma-casa(que é uma das mil coisas que faço quando devia era estar a fazer malas, relatórios e outras coisas chatas e obrigatórias), descobri que preciso no mínimo de seiscentos mil contos. Desconfio (saber não sei, que sou um verdadeiro “cavalheiro” em certas coisas) que o meu saldo neste momento não deve ter mais de dois dígitos, por isso vou ter de esperar mais uns séculos. Bolas, espero que aquilo da reencarnação seja verdade.

Ai, vou mas é enfiar ali na mala os presentes de Natal, meia dúzia de trapos que amanhã vou até casa(já sonhei com azevias duas vezes e já abri as hostilidades estomacais esta semana). Bom Natal!!!!!!

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Vanilla Sky

Se eu fosse pintora deitava-me de barriga para cima num sítio qualquer com um horizonte muito largo e passava o resto da vida a pintar céus e mais céus: limpos azuis, às risquinhas, com nuvens-farrapos, com nuvens gigantes laranjas, dourados, liláses, prestes a chover, acabadinhos de lavar, diurnos, a amanhecer, nocturnos cheios de estrelas, com arco-íris ao fundo e brilhantes de doer. Todos. O resto da vida*.

*Revelação patrocinada pelo céu de fim de tarde aqui da ilha cinzenta, sempre lindo, o parvo, mesmo a dizer: “Vês como eu podia ter estado o dia todo em vez de cinzento prestes a cair, mas olha toma lá uns minutos disto para te acompanhar no caminho para casa que já não é mau”

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Os bibliotecários são nossos amigos…

Perguntem o que quiserem ou precisarem, não sejam tímidos, eles respondem. Juro.

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Apontador para futilidades e inconsequências urgentes da imprensa(2)

Aposto que a luta foi renhida, eu consigo pensar numas quantas nomeações, mas o Tom Wolfe arrebatou o prémio. O prémio da pior cena de sexo literária do ano. Aqui está a passagem distinguida: “Hoyt began moving his lips as if he were trying to suck the ice cream off the top of a cone without using his teeth … Slither slither slither slither went the tongue, but the hand that was what she tried to concentrate on, the hand, since it has the entire terrain of her torso to explore and not just the otorhinolaryngological caverns … ” Eu atribuiria-lhe outro ainda: o de primeiro autor a inserir o termo otorrinoblablabla numa cena de sexo.

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Olhem lá, a isto é que se chama "envelhecer"?

Um dia percebe-se que se calhar o tempo não vai mesmo chegar para aprender japonês, dançar o tango em condições, percorrer a Índia, tocar guitarra, saber tricotar, trabalhar oito horas por dia e mesmo assim ter tempo para sonhar acordada aos golinhos numa chávena muito quente.

Então lêem-se haikais traduzidos, vê-se dançar o tango, folheiam-se revistas de viagens, ouvem-se e “reouvem-se” as músicas mais queridas, vestem-se as camisolas tricotadas pela mãe, trabalham-se oito horas por dia e sonha-se acordada aos golinhos numa chávena muito quente.

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